
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), articula nos bastidores um acordo político que envolve a contenção das pressões pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em troca da discussão sobre um eventual indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A movimentação é vista por interlocutores como uma estratégia para viabilizar sua reeleição à presidência da Casa na eleição marcada para fevereiro de 2027.
O objetivo central da negociação é atrair a bancada do Partido Liberal (PL) e outros setores da direita, reduzindo as resistências à sua permanência na liderança do Senado. Com essa reaproximação, Alcolumbre busca esvaziar nomes cotados pela oposição conservadora para disputar a vaga, como o senador Rogério Marinho (PL-RN) e a senadora Tereza Cristina (PP-MS).
Interlocutores indicam que a pauta do acordo se baseia na redução da volatilidade institucional entre o Congresso Nacional e o STF, acompanhada de propostas em torno da situação jurídica de Bolsonaro, atualmente cumprindo prisão domiciliar. Enquanto publicamente Alcolumbre adota o discurso de “pacificação do país” após o encerramento do processo eleitoral de 2026, parlamentares da oposição reconhecem a manobra como uma tentativa pragmática de formar uma maioria ampla e consolidar votos.
As tratativas continuam sem desfecho definitivo. A articulação ressalta a sobreposição entre as dinâmicas de poder interno no Poder Legislativo e o futuro judicial e político de lideranças do país.