
A Justiça da Bolívia condenou a seis anos de reclusão o adolescente J.D.R.F., de 17 anos, acusado pela morte da brasileira Jenife do Socorro Almeida da Silva, de 37 anos. A sentença foi proferida no último dia 23 por um juiz do Tribunal de Santa Cruz.
Na época do crime, o adolescente tinha 16 anos. A pena aplicada é considerada a máxima prevista para menores infratores no país e deverá ser cumprida em uma unidade destinada ao atendimento de adolescentes em conflito com a lei.
Jenife era natural de Santana, no Amapá, e havia vivido por cerca de seis anos na Bolívia, onde cursou Medicina. Ela chegou a retornar ao Brasil para iniciar o processo de validação do diploma e, posteriormente, voltou ao país vizinho.
Jenife Silva, vítima de feminicídio no Bolívia — Foto: Divulgação
O corpo da brasileira foi encontrado em 2 de abril de 2025, dentro de um apartamento em Santa Cruz de la Sierra. A investigação considerou a possibilidade de que a morte tenha ocorrido no dia anterior. A perícia apontou asfixia mecânica como causa da morte.

Conforme informações apuradas pelo Portal Guajará, durante as investigações, o adolescente afirmou que Jenife ainda estava viva quando deixou o apartamento. No entanto, imagens extraídas do telefone celular dele e outras provas reunidas pela polícia contradisseram essa versão e reforçaram os elementos apresentados contra o adolescente.
As autoridades bolivianas também apuraram a relação existente entre Jenife e o adolescente. Informações levantadas durante a investigação indicaram que os dois haviam se conhecido pouco tempo antes do ocorrido.
O caso teve grande repercussão entre brasileiros que vivem na Bolívia e mobilizou familiares e amigos de Jenife em manifestações e campanhas por justiça. A situação também chegou ao conhecimento do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.
Jenife deixou dois filhos.