
Meus cães ensinam coisas que nenhum livro de autoajuda consegue. Eles acordam e vivem como se cada dia fosse a primeira vez que eles existem. Como se o mundo inteiro fosse feito só de surpresas boas. Você chega em casa e, para eles, você é uma celebridade. Você saiu há dois minutos e virou a pessoa mais importante do planeta.
Tem algo no jeito que eles vivem que a gente perdeu em algum lugar do caminho. Eles não se preocupam com o que fizeram ontem, não planejam o amanhã. Eles só estão ali, naquele momento, totalmente presentes. Quando eles dormem, eles dormem de verdade. Sem culpa. Sem pensar em nada.
Eles também lidam com a rejeição de um jeito que era bom a gente aprender. Quando você reclama, quando você grita, quando você é grosseiro, eles não ficam ofendidos. Eles entendem que está passando e voltam. Eles sabem que as pessoas têm dias ruins e isso não significa que o amor mudou. É uma lição de empatia que a gente não ensina em universidade.
E tem a solidão. Eles sabem estar sozinhos sem serem solitários. Eles sabem se divertir com coisas simples: um galho, uma bolinha, uma caixa. Não precisam de experiências caras, de viagens sofisticadas. Um passeio no quarteirão é o melhor programa do fim de semana deles.
O que eu acho mais bonito é a forma como eles amam. Sem condições. Sem esperar nada em troca. Sem guardar ressentimento. Se você cuida deles, eles te amam. Se você os abandona, quando você volta, eles ainda te amam. É tipo um perdão automático que a gente não sabe dar uns aos outros.
Então, quando estiver difícil demais, quando parecer que não vale a pena, senta do lado do seu cão (ou gato, ou pássaro, ou do que tiver aí) e aprende: vive como se cada dia fosse um presente. Ama sem condicionar. Encontra alegria nas coisas simples. Porque é nisso que mora a vida, mesmo.
@enricopierrofc