
O Ministério Público de Rondônia (MPRO) apresentou denúncia contra um indígena acusado de matar a enfermeira Gleicia Arikapu, na Aldeia Arikapu, zona rural de São Miguel do Guaporé. O órgão também denunciou outras duas pessoas por supostamente auxiliarem o investigado após o crime.
A denúncia foi assinada pelo promotor de Justiça Rodrigo Nicoletti e tem como base as investigações conduzidas pela Polícia Civil.
Segundo o Ministério Público, Gleicia Arikapu foi morta na tarde do dia 2 de maio deste ano com um disparo de arma de fogo. O tiro teria atingido o rosto da vítima dentro da residência onde ela vivia com o acusado.
De acordo com a investigação, o casal mantinha uma união estável havia cerca de um ano. As apurações apontam que a enfermeira pretendia encerrar o relacionamento, situação que não era aceita pelo investigado.
O MPRO sustenta que o crime foi cometido em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. Conforme a denúncia, entre janeiro e maio deste ano, o acusado teria ameaçado Gleicia de morte utilizando uma faca.
Na ação penal, o Ministério Público enquadra o caso como feminicídio e aponta as qualificadoras de motivo torpe, em razão da inconformidade com o término do relacionamento, e do recurso que dificultou a defesa da vítima, já que ela teria sido surpreendida pelo disparo.
A denúncia destaca ainda que Gleicia deixou um filho de 16 anos, que teria sido a primeira pessoa a encontrá-la após o crime.
Além do acusado pelo homicídio, o Ministério Público denunciou outros dois indígenas por supostamente auxiliarem o autor após o assassinato.
Segundo a investigação, após o crime, o suspeito procurou os dois homens em uma base da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai). A acusação aponta que eles teriam recebido a arma utilizada no homicídio e ajudado a escondê-la em uma área de floresta para dificultar as investigações.
Além do feminicídio, o acusado também foi denunciado por posse irregular de arma de fogo e pelo crime de ameaça praticado contra a vítima.
Já os outros dois denunciados responderão por supostamente prestar auxílio ao autor do crime após os fatos.
O Ministério Público também solicitou à Justiça a fixação de uma indenização mínima em favor dos familiares da enfermeira Gleicia Arikapu.