
A possível delação premiada do ex-banqueiro Daniel Vorcaro passou a incluir, nos bastidores das investigações, a análise de eventuais comunicações entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e integrantes do Banco Central do Brasil durante o processo de liquidação de uma instituição financeira ligada ao caso do Banco Master.
Segundo apurações, investigadores pretendem verificar se houve contato direto entre o magistrado e dirigentes da autoridade monetária, incluindo o presidente do BC, Gabriel Galípolo, além de outros executivos envolvidos no processo. A linha de apuração busca esclarecer se temas relacionados à liquidação foram tratados em reuniões ou comunicações institucionais.
O caso também envolve a análise de um contrato firmado em 2024 entre o Banco Master e o escritório de advocacia ligado à esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes. O acordo, no valor de R$ 129 milhões, chamou atenção por estar acima dos padrões usuais do mercado, conforme relatos de investigadores.
Além disso, há interesse no acesso a documentos produzidos pelo escritório, como pareceres técnicos e registros de reuniões realizadas com representantes da instituição financeira. Informações preliminares indicam dezenas de encontros, tanto presenciais quanto por videoconferência, relacionados à prestação de serviços jurídicos.
Em manifestação anterior, o escritório afirmou que sua atuação esteve restrita a questões de compliance, sem participação no processo de liquidação do banco. Ainda assim, os investigadores avaliam a necessidade de aprofundar a análise documental para compreender o escopo dos serviços prestados.
A condução da eventual delação enfrenta desafios. Um deles é a necessidade de aval da Procuradoria-Geral da República, que atuará em conjunto com a Polícia Federal. Outro ponto sensível envolve a possibilidade de investigação de integrantes do STF, que depende de autorização da própria Corte, situação considerada inédita em casos de colaboração premiada.
Até o momento, o Supremo Tribunal Federal não se manifestou oficialmente sobre o assunto. O desdobramento do caso deve depender da formalização da delação e da validação das informações pelas autoridades competentes.
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