
A Câmara Municipal de Guajará-Mirim rejeitou, por maioria dos votos, o Requerimento Legislativo nº 0094/2026, de autoria da vereadora Cordélia Santana (PDT), que solicitava informações detalhadas sobre a realização da Feira do Empreendedor da Fronteira, ocorrida nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, no Bumbódromo Márcio Paz Menacho.
O documento solicitava formalmente ao prefeito Fábio Garcia de Oliveira e ao secretário municipal de Cultura, Esporte e Turismo (SEMCET), Lúcio Jorge Pinheiro, informações e comprovantes referentes aos custos, contratos, serviços contratados e estratégias de divulgação do evento.
A feira ganhou repercussão nas redes sociais após um jovem publicar um vídeo mostrando o espaço com pouca presença de público. A publicação levantou questionamentos entre moradores sobre a divulgação do evento, a aplicação dos recursos e a participação da Prefeitura na organização.
Durante a discussão da proposta no plenário, o vereador João Vanderlei foi o primeiro parlamentar a se manifestar contra o requerimento. Na ocasião, ele chegou a defender a emissão de uma nota de repúdio contra o jovem responsável pela publicação do vídeo e também contra a vereadora Cordélia Santana. Outros parlamentares também se posicionaram contrariamente à solicitação. Veja o vídeo
Conforme informações obtidas pelo Portal Guajará, Cordélia justificou a apresentação do requerimento como uma iniciativa de fiscalização, motivada por questionamentos recebidos da população. A parlamentar buscava esclarecimentos sobre o volume de recursos empregados, as empresas contratadas, os serviços pagos, os meios de comunicação utilizados na divulgação e as responsabilidades pela execução do evento.
Prefeitura havia divulgado nota de esclarecimento
Antes da votação, a Prefeitura Municipal já havia publicado uma nota oficial esclarecendo que não foi responsável pela organização ou pelo financiamento da Feira do Empreendedor. Segundo o município, o evento foi realizado pelo Instituto Futuro Amazônia (INFA), por meio de um fomento firmado diretamente com o Governo de Rondônia, conforme o Processo nº 0005.003206/2026-99.
Na manifestação, a administração municipal informou que a Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo não participou da organização ou execução do evento e que não houve repasse de recursos financeiros por parte da Prefeitura. O município afirmou ainda que sua participação se limitou à possibilidade de apoio operacional, como serviços de limpeza e eventual disponibilização de espaço para reuniões.
Questionamentos sobre fiscalização
Um cidadão que conversou com a reportagem do Portal Guajará também questionou a postura dos parlamentares diante da situação. Na avaliação dele, em vez de acolher questionamentos da população e buscar esclarecimentos por meio da fiscalização, parte dos vereadores prefere classificar manifestações de moradores e da imprensa como fake news e adotar uma postura de defesa da administração municipal.
A rejeição do requerimento reacende o debate sobre o papel da Câmara Municipal no acompanhamento dos atos do poder público, especialmente diante de questionamentos apresentados pela população sobre a realização de eventos e a aplicação de recursos.
Fonte: Portal Guajará.