
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente o governo brasileiro por supostas falhas no enfrentamento às facções criminosas Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho. A declaração foi divulgada em um documento oficial enviado ao Congresso norte-americano na terça-feira, identificando países considerados importantes no trânsito ou na produção de drogas ilícitas para o ano fiscal de 2027.
No texto, o mandatário norte-americano argumentou que, enquanto diversas nações do hemisfério adotaram medidas corajosas contra o narcotráfico, o Brasil não conseguiu conter os grupos criminosos. Para Trump, essas organizações transformaram o país em um centro nevrálgico para os fluxos globais de cocaína e representam uma ameaça crescente à segurança internacional.
O governo dos Estados Unidos já havia classificado formalmente o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras no primeiro semestre de 2026. A medida, baseada na legislação de imigração e em ordens executivas da Casa Branca, amplia os instrumentos legais disponíveis para aplicar sanções e adotar medidas punitivas contra entidades e pessoas associadas a essas facções.
Apesar das críticas direcionadas ao país, o governo brasileiro não foi incluído na lista de nações que falharam de forma demonstrável no cumprimento de obrigações internacionais antidrogas. Essa restrição específica recaiu sobre Afeganistão, Bolívia, Birmânia, Colômbia e Venezuela, enquanto o Brasil também ficou fora da relação direta de principais corredores de produção e trânsito de entorpecentes.
Em resposta imediata às declarações, o Ministério da Justiça e Segurança Pública refutou as alegações de omissão no combate ao crime organizado transnacional. A pasta destacou a promulgação da Lei Antifacção em março de 2026, instrumento que estabelece penas mais severas para líderes criminosos e cria mecanismos modernos para asfixiar as operações financeiras dessas organizações.
O órgão governamental também ressaltou a execução de dezenas de milhares de operações federais que causaram prejuízos bilionários aos criminosos ao longo do ano. Citou ainda as múltiplas ações implementadas pelo Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio, voltado para sufocar facções, fortalecer o sistema prisional, qualificar investigações de homicídios e combater o tráfico de armas.
Além disso, o governo brasileiro lembrou a proposta entregue pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 7 de maio de 2026, em Washington. O documento detalha medidas conjuntas para o compartilhamento de inteligência, combate à lavagem de dinheiro e cooperação mútua, aguardando até o momento uma resposta formal da administração norte-americana.
O relatório enviado ao Congresso dos Estados Unidos também abordou a situação de outros países, alternando críticas a governos desafetos com elogios a gestões aliadas na América do Sul. Líderes de nações como Argentina, Equador e El Salvador receberam menções positivas, assim como as novas administrações da Bolívia, Colômbia e Peru devido a compromissos firmados no combate ao narcotráfico.
Por outro lado, o documento cobrou ações mais firmes do Canadá e do México em relação ao tráfico de drogas sintéticas e fentanil, além de exigir que a China intensifique o controle sobre a exportação de produtos químicos precursores. Autoridades chinesas foram instadas a adotar medidas regulatórias mais rigorosas para impedir que redes criminosas continuem burlando os controles internacionais.