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o perigo de sentir demais

intensidade também precisa de limite

Portal Guajará
Por: Portal Guajará Fonte: Por Enrico Pierro
08/04/2025 às 14h01 Atualizada em 08/04/2025 às 14h33
o perigo de sentir demais
Foto: Divulgação

ninguém é complicado demais só porque tem limites. talvez você só tenha aprendido que amor não é favor, que reciprocidade não é gentileza e que sua paz vale mais do que insistir onde não cabe.

 

a gente cresce achando que amar é se moldar. que é bonito se doar, se encaixar, ceder sempre. e de fato, amar é doação. mas não pode ser anulação. quando a gente se apaga pra caber no outro, já não é amor — é medo de ficar sozinho. e isso não é leve, não é justo, nem saudável. tem gente que te chama de “difícil demais” porque se acostumou com gente que aceita pouco.

 

e postar sobre isso, nas redes sociais, me levou a uma conversa com a paula assad — uma daquelas pessoas que fazem a gente pensar sem nem perceber. falávamos sobre intensidade, sobre o “demais”. sobre como o exagero, mesmo quando vem vestido de amor, pode ser perigoso.

 

e é verdade: tudo que é demais pesa. até aquilo que parece bonito. intensidade sem direção vira furacão. e às vezes, a gente confunde isso com profundidade.

 

minha mãe sempre dizia: “o radicalismo emburrece.” e dizia isso com a voz firme de quem estudou sociologia, mas com o olhar doce de quem jantava todas as noites com um marido que foi militar. imagina o jantar. um campo minado de ideias. e no meio disso tudo, eu, aprendendo que ser ponderado também é uma forma de amar. de amar o outro, de se amar.

 

a gente aprendeu a achar bonito ser intenso. e não tô dizendo que não seja. é bonito, sim. tem algo encantador em quem sente tudo com força, em quem ama com entrega, em quem se joga na vida. mas sentir tudo o tempo todo, sem pausa, sem freio, sem filtro, cansa. e não só a gente — cansa quem tá por perto também. o mundo não precisa que a gente desligue a intensidade, mas talvez precise que a gente a aprenda a respirar.

 

é difícil encontrar esse ponto de equilíbrio, porque ele muda com o tempo, com as fases da vida, com as pessoas. não é uma fórmula fixa. é mais um exercício de escuta, de percepção, de saber quando é hora de ceder e quando é hora de ficar. quando a intensidade é afeto, e quando virou ansiedade disfarçada de amor.

 

então talvez o segredo não seja apagar a intensidade, mas aprender a regulá-la. como se fosse um rádio antigo, que você gira o botão até encontrar a estação certa. e quando encontra... tudo flui.

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